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Formação do Clero da Arquidiocese de Braga

20.6.06

8 chaves de leitura da obra teológica de Ratzinger por Bruno Forte

O Bispo teólogo Bruno Forte, apresentou por estes dias, num congresso em Roma, oito chaves de leitura da obra teológica de Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI.



1— Bruno Forte partiu do contexto histórico-cultural na qual amadureceu a obra teológica de Bento XVI constatando que, se depois de 1968, «o tempo da utopia», face a uma visão de um «Deus otiosus» — «substancialmente inútil»— amadureceu a convicção anti-ideológica que caracterizou a sua obra, depois de 1989, quando prevaleceu o «tempo do desencanto» e a ideia do «Deus mortuus», o desafio ratzingeriano levou a «propor horizontes de sentido, de alegria e de esperança». É neste período que Ratzinger elaborou o conceito de «Deus caritas», diz Bruno Forte, e que mostra como o tema da sua primeira Encíclica foi longamente preparado.

2— A segunda etapa é a indicação do trabalho que Ratzinger assumiu com a sua teologia, «testemunhar com o serviço da inteligência a Palavra entre as palavras dos homens», ou «uma diaconia da verdade na casa da verdade», isto é a Igreja. Segundo Bruno Forte, de facto, não se pode compreender a verdade de Deus «sem um círculo hermeneutico que a torna sensata para nós», porque «Deus não se pode encontrar na solidão», mas numa «comunidade que faz memória e numa comunidade narrativa, que ao mesmo tempo é comunidade interpretativa da verdade que nos foi transmitida».

3— Quanto ao significado de crer, Bruno Forte, citando as palavras do Papa na «Introdução ao Cristianismo», observou que «acreditar significa dar o próprio assentimento àquele sentido que não estamos em condições de fabricar por nós mesmos, mas apenas de receber como um dom, de tal modo que basta que o acolhamos e nos abandonemos a ele».

4— O Deus no qual se acredita só pode ser pessoal, Deus Pai, que nos é revelado na história bíblica como o Deus vivente, ou o Deus de Jesus Cristo. Não se pode, de facto, amar um Deus ques e desconhece, mas somente um Dus pessoal, que nos dirige a palavra e ao qual nós podemos ao mesmo tempo dirigir.

5— Neste contexto, a relação entre o homem e Deus deve ser caracterizado pela passagem «do dualismo que contrapôs o humano e divino, fé e razão em muitas estações do espírito moderno à correspondência e ao encontro sem conclusões». «O humano e o divino encontram-se mas não se confundem em Jesus Cristo», observou Bruno Forte. Entre humano e divino existe ao mesmo tempo uma relação de negação, de afirmação e de superação: o divino nega o humano «violando o duro invólucro da auto-exaltação, que cobre a magnificência de Deus», afirma-o «no dinamismo de desejo de Deus que é constitutivo do ser humano» e o supera porque Deus não é a resposta às esperas do homem, mas é sempre superior, «é o Outro que nos atinge, nos perturba e nos inquieta».

6— A sexta chave é a Igreja, lugar onde habita Deus. «A Igreja deve sempre viver na docilidade ao Espírito Santo e deve estar pronta a reconhecer as resistências ao Espírito», reconhecendo, portanto, as culpas do passado.

7— Quanto à escatologia, «tema predominante no pensamento de Ratzinger», o «eskaton tem um tríplice sentido: em primeiro lugar, aquele relativo à identidade do cristianismo e da Igreja. O cristão é «um prisioneiro do futuro de Deus», que deve medir as susas escolhas sobre o horizonte de Deus infinito. O eskaton é também prolepse, isto é antecipação, porque «o cristianismo vive numa experiencia antecipada e antecipante das coisas últimas» pela fé e pelos sacramentos, mas é também «reserva crítica», porque às vezes o cristão vai contra a corrente.

8— A última etapa é o ícone que resume a sua obra teológica, Maria, síntese da eclesiologia, «ícone concreto e pessoal na qual se exprimem as coordenadas do pensamento cristão».

O Curso de Especialização em Informação Religiosa decorreu em Roma na Pontificia Universidade da Santa Cruz de 13 de Março a 16 de Junho. (Cf. www.zenit.org de 19 junho de 2006).

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