O Bom Pastor:

Formação do Clero da Arquidiocese de Braga

17.4.07

V Jornada Pastoral Familiar - Braga



A Família e a Gestão Financeira

A Família sob a mira do crédito podia ser o título de um documentário sobre a situação financeira da maioria das nossas famílias. Numa sociedade de valores humanizantes e cristãos diluídos e reticentes (como se pôde constatar com o referendo do aborto), relativizados pelo primado do indivíduo e, sobretudo, do dinheiro, é este último que rege vontades, dita estrangulamentos interpessoais, favorece conflitos intergeracionais. Neste cenário, as crianças omnipotentes têm imperiosamente de ter tudo e subjugam os pais à volubilidade dos seus caprichos passageiros. Já os adolescentes, esses precisam da última geração de iPods (players de áudio-digital) ou de telemóveis e agonizam com a caducidade permanentemente actualizável dessa última geração, pois o aparelho mais sofisticado hoje já não o é amanhã, quase literalmente, É claro que a depressão é sempre um espectro que ameaça todos as faixas etárias e serve de mote de chantagem: se não me derem a coisa X, fico num estado depressivo irreversível, sem auto-estima, com complexos de inferioridade, etc. (pois o chorrilho de disparates ao serviço da autovitimização é infindável). Tudo é equacionado como se as pessoas se tornassem pessoas pelas coisas que ostentam e à sombra das quais se escondem e se demitem de ser e não pelo que efectivamente são. E depois temos os adultos, compulsivos incontinentes, no que diz respeito a gastar dinheiro, principalmente o que não têm, para a casa, o recheio, o carro, as férias, as festas, os azares, os saldos, as promoções, etc., etc., etc. E a postura vigente é a de gastar num carpe diem manipuladoramente instruído pela publicidade que impõe que se viva agora, o momento e se pague depois, com a agravante e a noção de culpa estar em vias de extinção e a vitimização ganhar terreno a olhos vistos.
Logo, todos somos marionetas, a culpa morre solteira e miseravelmente solitária, a desresponsabilização é uma instituição pública e as famílias enredam-se em teias de alienação do que verdadeiramente interessa, não têm tempo para ser família e, entrando numa postura de autocomiseração, não crescem, por causa da crise e das dificuldades. Concomitantemente, assistimos à diminuição da taxa de natalidade de forma preocupante e às famílias que vacilam na sua constituição e na sua continuidade.
Nota dominante, as depressões sobem em flecha e, para combater o uso de fármacos, a alternativa apontada por alguns técnicos de saúde é ir às compras desenfreadamente, sem limites, e satisfazer desejos. Compra-se quase tudo, mas os problemas persistem, porque a solução, claro está, não passa pela satisfação imediata proporcionada pela materialidade, de um modo redutor.
Obviamente que não é minha pretensão sustentar que o dinheiro tenha de ser encarado de forma exclusivamente negativa. Bem pelo contrário, como bem sabemos, os nossos pequenos gestos de solidariedade, nalguns casos, salvam vidas, mormente quando contribuímos para mitigar a fome, administrar medicamentos e vacinas a quem precisa.
Ora é sobre tudo o que foi arrolado e sobre muitas outras questões adjacentes à temática da Família e a Gestão Financeira que nos debruçaremos na V Jornada da Pastoral Familiar, no próximo dia 21 de Abril, entre as 14h30 e as 19h, no auditório do colégio D. Diogo de Sousa, em Braga. Contamos com todos e particularmente consigo a fim de reflectirmos conjuntamente no modo como podemos crescer em família e pela família, sempre solidariamente.
Vemo-nos na formação anunciada. Até breve!

Helena Guimarães
Departamento Arquidiocesano da Pastoral Familiar

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