O Bom Pastor:

Formação do Clero da Arquidiocese de Braga

23.4.07

44ª semana de oração pelas Vocações

(Caravaggio, «A vocação de S. Mateus», Roma)

A Jornada Mundial de Oração pelas Vocações é ocasião privilegiada para todas as pessoas de fé reflectirem sobre o dom do chamamento divino e considerarem a sua própria vocação. E, em comunhão com toda a Igreja, partilhar a solicitude pelas vocações ao ministério ordenado e à vida consagrada.
A Jornada Mundial das Vocações não pode ser entendida como uma questão que se possa encerrar num único dia, ainda que a esse dia se preste uma atenção mais expressiva. A semana que se inicia a 22 de Abril e que culmina a 29 tem por objectivo promover uma cultura vocacional, motivando as vontades a partir de alguns recursos que difundem a mensagem da Jornada Mundial.
O tema que Bento XVI nos propõe na sua mensagem para esta 44° Jornada "Permanece em mim" coloca-nos em sintonia com o tema: a vocação ao serviço da Igreja-Comunhão. Assim, a Igreja reflecte, como ícone, o mistério de Deus Pai, de Deus Filho e de Deus Espírito Santo; e toda vocação traz em si os traços característicos das três Pessoas da comunhão trinitária. As Pessoas divinas são fonte e modelo de toda a vocação. Aliás, em si mesma, a Trindade é um misterioso entrelaçado de chamamentos e respostas. Somente ali, dentro daquele diálogo ininterrupto, cada pessoa descobre não apenas as suas origens, mas também o seu destino e o seu futuro, o que é chamado a ser e a tornar-se, na verdade e na liberdade, na concretização da sua história.
E, conforme a carta aos Coríntios, «a cada um é dada uma manifestação particular do Espírito, para a utilidade de todos» (1 Cor 12, 7). A vocação (cultura) é essencial para a Igreja se compreender: “a vocação define, em certo sentido, o ser profundo da Igreja ainda antes do seu operar, (pois) no próprio nome da Igreja, Ecclesia, está indicada a sua íntima fisionomia vocacional, (como) convocação, assembleia dos chamados” (PDV, 34). Há um bem superior que está acima do dom pessoal: construir na unidade o Corpo de Cristo; tornar epifânica a sua presença na História, «para que o mundo creia» (Jo 17,21). A Igreja, que deve cultivar-se como “assembleia dos vocacionados e vocacionadas”, ‘converte-se’ ao seu futuro; vem da Trindade e vai para a Trindade. A comunidade eclesial, por um lado está unida ao mistério de Deus, de que é ícone visível; e por outro, é totalmente envolvida com a história do homem no mundo, em estado de êxodo, rumo «aos novos céus». A pastoral vocacional é o caminho da Igreja que caminha com o homem, que encontra o seu caminho em resposta a um chamamento. A comunidade eclesial é ‘comunhão de carismas e ministérios’; nela, todos, conforme o seu ministério e carisma, são responsáveis, e cada um é-o conforme o modo de ser membro. A Igreja, e nela, toda vocação, exprimem um dinamismo idêntico: ser chamados para uma missão.
A vocação nasce num lugar determinado, num contexto concreto e limitado, mas não se volta para si mesma, não tende para a própria perfeição ou auto-realização psicológica ou espiritual do chamado, mas floresce na Igreja, naquela Igreja que caminha no mundo, rumo à realização de uma história que é grande porque é de salvação. A mesma comunidade eclesial tem uma estrutura profundamente vocacional: ela é chamada para a missão como sinal de Cristo, missionário do Pai: ela «é em Cristo como um sacramento, isto é, sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» (Lumen Gentium 1). Por um lado, a Igreja é sinal que reflecte o mistério de Deus; é ícone que evoca a comunhão trinitária no sinal da comunidade visível, e ao mistério de Cristo no dinamismo da missão universal. Por outro lado, a Igreja está imersa no tempo dos homens, vive na história em condição de êxodo, está em missão a serviço do Reino para transformar a humanidade na comunidade dos filhos de Deus.


P. Vitor Rodrigo

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