O Bom Pastor:

Formação do Clero da Arquidiocese de Braga

27.2.07

Chave para ser bom confessor: ser antes bom penitente


«O bom confessor é antes de tudo um bom penitente»

«Ninguém pode ser sinal da misericórdia divina se primeiro não experimentou em sua própria carne tal misericórdia», reconhece o Pe. Amedeo Cencini, da Universidade Pontifícia Salesiana (Roma).
Afirma, assim, o conteúdo do discurso que Bento XVI pronunciou recentemente ante os padres penitenciários das basílicas papais de Roma, sobre a confissão, o confessor e o penitente.«Instrumento activo da misericórdia divina», o confessor, sublinhou o Papa, precisa «de uma boa sensibilidade espiritual e pastoral», «séria preparação teológica, moral e pedagógica que lhe permita compreender o que a pessoa vive», assim como «conhecer os ambientes sociais, culturais e profissionais de quem chega ao confessionário».
«Não se deve esquecer que o sacerdote, neste sacramento, está chamado a desempenhar o papel de pai, juiz espiritual, mestre e educador», coisa que «exige uma actualização constante».
O Papa sublinhou, ainda, ante os sacerdotes, a impossibilidade de «pregar o perdão e a reconciliação aos outros» se não se está «pessoalmente penetrado por ele». E ao concluir, Bento XVI disse haver necessidade de «redescobrir e voltar a propor este sacramento».
A partir desse discurso, numa entrevista difundida na sexta-feira pelo Serviço de Informação Religiosa da Conferência Episcopal Italiana, o padre Cencini, também professor do Instituto de Psicologia da Universidade Gregoriana, advertiu sobre um «dado inquietante»: «Honestamente, tem-se a impressão de que nem sempre o sacerdote outorga a adequada relevância à dimensão penitencial da vida cristã, em termos de importância pastoral e, portanto, de preparação pessoal, de tempo a ela dedicado, de estratégia educativa», de onde se deriva o risco «de fazer os fiéis considerarem a experiência da confissão como menos importante.»

Questão de filiação

A relevância do expressado está em que «na vida cristã, a descoberta e a experiência do próprio pecado é o outro lado, complementar, da experiência de ser filhos», alerta o Pe. Cencini.
Isto é, «é a descoberta do pecado o que faz descobrir quão grande é o amor de Deus por mim, dado que me perdoa tudo e é a experiência da paternidade de Deus misericordioso o que me faz reconhecer a gravidade de meu acto transgressor».
«Em outras palavras, só o pecador pode desfrutar e comover-se ante o abraço do pai, e só o filho pode admitir a gravidade de suas culpas», sintetiza.

Questão de formação e vivência

É aí onde «a formação inicial dos sacerdotes é um ponto delicado: o bom confessor é antes um bom penitente», assinala o Pe. Cencini, consultor há mais de uma década da Congregação vaticana para a Vida Consagrada.
«O estudo da teologia moral não pode ser simplesmente o estudo de uma complexa casuística ou a aquisição de normas para avaliar comportamentos, que se deve revisar periodicamente, mas que é um todo com a experiência pessoal do próprio pecado perdoado e redimido, para dar espaço a uma séria preparação capaz de compreender a vivência das pessoas.»
Isso marca igualmente «a necessidade, também para os futuros sacerdotes, de levar a cabo essa peregrinação penitencial que reúne todos os crentes para descobrir as próprias debilidades e fragilidades não só psicológicas, mas também espirituais».
E implica, para todos, «redescobrir a sacralidade da confissão»: entendê-la «como nova criação», «não simplesmente para suprimir os pecados cometidos, mas para voltar a pôr a própria vida nas mãos do Criador».
«É esta a dimensão sacra da confissão, que faz dela um verdadeiro renascimento espiritual capaz de transformar aquele que se arrepende em uma nova criatura».

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