O Bom Pastor:

Formação do Clero da Arquidiocese de Braga

5.1.07

Diz uma palavra/mostra-me o teu rosto/ e isso será a salvação




A Bíblia
de João Ferreira de Almeida.
fixação do texto por JoséTolentino Mendonça

1. No princípio criou Deus o céu e a terra.
2. E a terra estava vasta e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo: e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
3. E disse Deus: Haja luz. E houve luz.
4. E viu Deus que a luz era boa: e fez Deus separação entre a luz, e entre as trevas.
5. E Deus chamou a luz dia, e as trevas chamou noite: e foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.
6. E disse Deus: Haja um estendimento no meio das águas, e faça separação entre águas e águas.
7. E fez Deus um estendimento, e fez separação entre as águas que estão debaixo do estendimento, e entre as águas que estão sobre o estendimento: e foi assim.

A exposição de pintura «Génesis» de Ilda David' está patente no Mosteiro de Tibães até ao dia 4 de Fevereiro e pode ser visitada todos os dias, gratuitamente, das 9 h até às 18h. Esta Mostra recolhe as cerca de 38 pinturas que ilustram o «Livro do Génesis» da Bíblia de Almeida . A propósito desta pintora escreveu José Tolentino Mendonça:

«As imagens de Ilda David' para esta versão da Bíblia são de natureza estritamente poética, como sempre leituras pessoais, pela pintora, de momentos escolhidos do texto, ao mesmo tempo iluminante e iluminado, numa galeria imensa e belíssima, que reconstitui uma «teologia visual» (J. Tolentino Mendonça) muito própria. Um turbilhão de formas, cores, surpresas espreitando de fundos indistintos ou da elaborada trama do risco. Só posso repetir – mais intensamente ainda, porque são mais intensos aqui as figuras, as cores, os ritmos, os mistérios – um fragmento do que escrevi a propósito da exposição Incubus, que reuniu em 2000 as imagens feitas por Ilda David' para a edição do Fausto de Goethe (Círculo de Leitores / Relógio d'Água, 1999):
«… de uma história mil vezes repetida
(do céu para a terra e desta para o inferno)
cresce a secreta aspiração aos rios e às fontes da vida.
tece-se o manto de mistério no tear vibrante do quadro. […]
que segredos sustentam no seu âmago
este brotar de linhas, cicatrizes,
filhas de um saber do risco e da cor,
antigo, como velhos são os tons da terra,
as transparências do céu,
os mitos sem tempo? […]
silhuetas, promessas apenas entrevistas
em espelhos de ilusão, livros de sete selos
que um dia se abriram ao olhar puro, desvelador
de uma qualquer perfeição do imperfeito […]
alma do traço a negativo.»